segunda-feira, 24 de junho de 2013
Ir e Voltar, Vir e Retornar
Como não querer deixar de ir, quando nos esperam?
Mais! Esperamos que nos esperem
Não queremos deixar à espera quem quer (como nós) que vamos
Voltar -
Perdendo o medo, a garganta treme
Propaga aos olhos, à face e aos neurónios todo o seu frio
E tornamos atrás com a frente lavada
Vir -
E há momentos em que ansiamos por uma vinda
Vindoura em tempos, ou prestes a acontecer
Mudos como uma pedra, rejubilamos
Retornar -
Na alvorada de luz solar, cinzenta pois é reflectida
Quem nos deixa vai e não pode ficar; ou pode?
Deixamos tudo nas mãos da velocidade, e reiniciamos.
A música que flui
Foge a música que ribomba nas colunas gigantes
Reflectindo nas bolhas criadas inocentemente pelos que não vibram
Por vezes, uma figura ímpar surge;
Dança, treme, baila
E aí a música - não toda, mas quase - encontra refúgio
No corpo em que a música flui
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Espera
Aguardando por um toque
Anseia-se mas não se desespera
Procura-se a calma no turbilhão
Sobrepõe-se a vontade à espera
Quem vem, virá
Quem está, estará
E o acaso da delonga não é mais
Do que uma onda no oceano
Que não separa
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Lidar
Um encontro entre palavras, olhares ou contactos
Mas um sorriso mostra tudo; e quando, por vezes,
se esconde, como abrir de novo a arca pesada?
Sei que posso estar, falar ou explodir
E
no entanto
não é isso que quero:
Só me interessa o fluir único, sem destino mas
com inesgotável
sentido
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Até ao nascer do Sol
E por todo o lado se espalhou
Já para mim era dia
Tal era o modo como o teu olhar reluzia
Nascendo o Sol, o corpo estremeceu
Pelo frio que o calor repentino desvaneceu
E tudo à volta era magia
Na forma de cada bocado que se fazia
De imaginação, de loucura e de alegria
terça-feira, 11 de junho de 2013
Escala de espontaneidade
Repentino e fugaz como um olhar desviado
Uma acção sofre de um pensamento prévio
Não é nada mais do que natural;
Não é nada mais do que uma vontade.
Saber à partida, nem que por um milésimo de segundo, (o) que se sabe,
Destrói a criatividade? Não;
O que é espontâneo é-o sem necessidade de o ser
Pois nasce de dentro do cérebro inimitável de cada um
Cabelos
Cabelos à solta ao vento
O trompete soa a ouro no fundo da cabeça
A rua dança, a baía brilha e as estrelas mostram-se
E no silêncio de uma música há olhos que se encontram sem se ver, e reluzem
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Par
Como evitar?
Não, não há escapatória;
Uma traz a outra.
Palavras doces tornam-se duras
Pontos quentes arrefecem ao vento
E a noite toma o seu verdadeiro tom de negro
E se uma foge, a outra alcança
Se outra desespera, a outra espera
Quando uma incendeia, a outra apaga
Amarelo
Fazem-se acompanhar de um sorriso amarelo
Ecoam no silêncio que consome
E entram em combustão, sem saber como
Numa alma que não existe
Há um pilar que oscila sob ensaio
Mas não rompe nem quebra
Vem, luz amarela do carro que
Ziguezagueia a alta velocidade
Por curvas tortas e imprecisas
Encandeia!
Lampião por entre as árvores
Uma luz no escuro alumia
O chão pisado pelo ar
E por quem não passa
Um arvoredo viçoso
Teima em quebrar o raio artificial
Mas a luz mostra-se, com suas milhentas cores
E ignora o pouco espaço por onde passa
Cintilante
Submerso, a não ser por um pouco,
Por terra imunda e escura
Cresce, a traços largos,
Fura o ar com a sua vontade e entusiasmo
Despedir-se-á, um dia, da flora e fauna
Que sempre o rodearam com diversos olhares
Explodirá, qual supernova
Cujo brilho não é visível ao longe
Mas que lá está, esteve e sempre estará
sábado, 1 de junho de 2013
Ânsia
A um lugar que desconheço
Posso, aí, ser feliz?
Caibo na arca que mostras aberta
Pelo menos em sonhos estranhos
Mas há quem duvide, como eu e tu
E tudo gira continuamente
Num sentido ou no contrário
Não há como parar;
Só se pode ansiar.
Raio de Sol
8 minutos é demasiado tempo
Porque estás tão longe?
Quero-te aqui, já, sempre
Raio de Sol
Queimas, assas e ardes
Castigas;
Não podes deixar de o fazer
Raio de Sol
Por entre plantas e prédios
Vem!
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Rainhas nas entrelinhas
Há, por todo o lado, rainhas.
Cercam peões que tentam, um dia,
Se transformar em algo mais
Limite
Há uma inquietação bidireccional mas desequilibrada
O contraste de cores e brilhos salta à vista
E o limite surge, nunca sendo só o céu
E forte é, que dói
E fútil é, que exaspera
E saudoso é, que entristece
Histórias numa história
Pode um dia ou nunca acabar
Mas como um fio num novelo
A cada momento tem um inevitável desenrolar
Dentro dela, há pequenas partes.
Histórias em si mesmo
Reais, irreais,
Fantasiosas ou naturais!
De ouvir para crer
Ou de acreditar por temer
As histórias que habitam uma história
São momentos
únicos
partilhados
e
(um - qualquer - dia)
relembrados
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Sol por entre as árvores
Liberta o seu último fulgor no que chamamos hoje
Muda de cor a seu bel-prazer
Pois sabe que o amanhã é garantido
Mas a nós nem ele nos garante
Que o calor continue a brotar dos nossos corpos
E que a electricidade flua pelo nosso ser físico
Sol, ou nada.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Loucura
Aos neurónios, aos impulsos
Tomar uma direcção com toda a força das ondas
E navegar pela água de mil cores
Pintando-a com o (nosso) próprio tom
"Quando me dizem: "vem por aqui!" (...)
Nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar (...)
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam os meus próprios passos (...)
Eu tenho a minha loucura! (...)
Não sei por onde vou
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
Criar
E que é peça essencial,
Roldana, engrenagem, motor
Do mundo que gira
Tem forma de teia de aranha
Sem prender mas envolvendo
Liberta, voa, catapulta
Em mentes sãs (ou não)
(em corpos sãos (ou sim))
É o poder real que quem tem e o sabe
A ele não mais aspira com voracidade
Usa-o, antes, para explodir em velocidade
Para viajar sem rumo mas com meta
E o vento, incessante e forte
Torna-se numa brisa ineficaz
Ajoelha-se perante o raio de Sol
Que refracta, reflecte e aquece
domingo, 7 de abril de 2013
Era uma vez
Partilhando fumo
Bebendo à saúde irónica
Um bar, dois bares, quantos mais?
A música faz sentir e lembrar
E nem mesmo a memória triste
Ou o acaso infeliz
Apagam a luz de qualquer história
Daquelas que começam (sem se saber como acabam)
por "Era uma vez..."
Crianças grandes
Envelhecemos, vivemos, criamos memórias
E a criança está lá, sempre viva e atenta
Olha-nos; distorce-nos sem darmos sequer conta
E o que queríamos ser, se não somos
Não é mais do que um travão de ser grande
Que a qualquer momento
pode
deve
tem de
ser fustigado pela inocência de sermos, termos sido e sempre irmos ser
crianças
(pequenas ou grandes)
sábado, 30 de março de 2013
Disposto?
Um rapaz segue a sua mente pelo mundo fora
Vai sozinho? Pode ir, mas nunca o está
Nunca o esteve mesmo quando só esteve consigo
E se alguém o acompanha
Vai sozinho também, porque o é
Mas partilha, descobre e explora
Regista;
assimila;
vibra!
Fluidez
Os anos passam e as vidas mudam
De modo, de estilo e de estado
Mas há sempre oportunidade para caminhar um pouco
Não para trás, mas para a frente
Porque a conversa nasce
Como antes escorria
e sempre fluiu
quarta-feira, 27 de março de 2013
Silêncio (2)
E me sobressalto com o silêncio
Que o trovão, ao não vir, traz
O silêncio, se pela indiferença, muda
Cala, arrepia e gela
Toque
Alguém à porta, que pretende?
Uma entrada de rompante
Ou um panfleto de deitar fora?
Toque de classe
Andar e não cair
Com ou sem apoio
Do alto, com vista para o mundo
Toque de mãos
Relaxante e necessário
Benefício na pobreza
Energia, calma e destreza
sexta-feira, 15 de março de 2013
Fio condutor
Cada um tem o seu fio que o conduz
A ele se agarra e se deixa levar
Ou ele se enrola e faz caminhar
Cada um, cada qual
Tem o seu fio, que pode ou não conhecer
Mas ele existe no meio da rede
Mais ou menos entrelaçado
O fio condutor é uma planta
Que recebe luz e a processa
Mas o resultado dessa fotossíntese
Cada um, cada qual, pode ou não aproveitar
domingo, 10 de março de 2013
Por uma noite
Mostra a sua luz ao homem que caminha só
Mas não está abandonado; além da estrela,
Pulsam os neurónios do seu cérebro inebriado
E assim, sente, pelo menos por uma noite, que vive
sábado, 9 de março de 2013
Blocos
Ligam-se e operam
Quais máquinas de uma fábrica
Sabem o que fazem
Blocos, que seguem instruções
Desenhar
Como fluir no movimento se a psicose atrasa?
Como olhar para o branco e não ficar estarrecido pela inveja?
São linhas, formas e figuras
Que se expressam sem desenhar
São sonhos, manias e ilusões
Que atacam sem cessar
Crepúsculo
Surge no meu sonho uma cara vagamente familiar
Mas ao mesmo tempo longínqua
O sorriso pergunta-me: "Como vais?"
As feições convidam e pergunto-me se quero
Quero? Quis, já não quero nem posso
São pontos nos is que já não existem
Demasiadas barreiras se elevam sem piedade
E, mesmo assim, o rosto pontua o sonho
Peso
As mesmas que na calçada se pisam
Peso diferente, maior, e, ah!, a robustez
Um camião que passa pesa e passa
Pesado, como o mundo e as vidas
Que com ele e nele giram
Pesamo-nos e deixamos que nos pesem
Ligamos a balança electrónica mal acordamos
E sem sentir, julgamos
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Lembrança
Nem tanto que me sobressalte
São relâmpagos sem trovões
Botões sem casa
E, assim sendo, desaparecerão.
Por isso, os vou deixando escritos
Não por minha vontade mas só
e apenas
pela qualidade, efémera, do que foi e já não é
Versos emprestados
Pedir proximidade sem julgar distâncias
São utopias ou realidades?
São manias ou vontades?
E, mais a mais, o que tenho
Não é mais do que uma letra na cabeça
Que me recorda e assalta
"Quem vem e atravessa o rio (...)"
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Encontrar sem procurar
Quando não sei quem és
Mas vale a pena se o mundo se move
E um encontro casual pode surgir
Da luz!
Olhos
Adormecias numa cama pré-aquecida
Dormias profundamente sonhando e vivendo
Acordavas e via teus olhos de um azul inesperado, quente e esplendoroso
E tu, também? Companhia para tanto
Mas a uma distância tão grande quanto necessária
Ah! Os olhos!
Os teus, uma pequena parte da tua beleza ofuscante
Numa tristeza recente dizias que não podias conversar
Mas falavas, com entusiasmo
Largavas um pouco de saber e inocência
Com olhos tristes mas reluzentes e soberbos
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Formas
Não eras bela mas tinhas toda a forma
Sobretudo quando te movias ao som da música
E tornas-te musa
Será belo o que não é disforme?
És bela mas estás longe, cada vez mais agora
Cavas e cavalgas distâncias e não passas de uma alucinação
Como se fosse possível acender todas as lareiras do mundo com um só fósforo
São formas que nos distinguem
Que nos marcam e torcem como uma corda vazia
À espera de ser atada
sábado, 22 de dezembro de 2012
Solstício
Cabem saídas e abandonos
Voam luzes e vontades
Planos, quereres e amizades
Há uma luz negra que, agora, no inverno, brilha
Não ilumina ou alumia e só escurece o pensamento
Essa luz, criadora de solidão
Poderá ela ser uma ilusão?
De braço dado com a luz, espera-se numa sombra
Largando-a, descobre-se um mundo novo que
É totalmente incerto. Espera-se, não, quer-se, então
(ou procura-se se houver audácia)
alguém.
Que apareça num raio transformador e exultante.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Miséria ou sonho?
Duma miséria de sonho
Partido em dois e por isso intenso
Cobre-me uma camada espessa de angústia
Que já não é real pois há
Quem sorria e ilumine
Seja ao longe, ao perto
Rápido e inocente, rápido e deliberado
E assim, miséria há mas o sonho
Ah, o sonho
A suplanta
Ah, tu!
Ah, tu
Que com falsos altos mas plenos saltos
Desfazes qualquer ilusão de prazer
E ao mesmo tempo colides no tempo e na vontade
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Sabes?
Entre quem sabe quem tem
Não é mais do que encontrar alguém
Que sabe quem é e quem sou
Mas é mais do que perguntar quem és
Quão árduo, quão duro
Triste?
Rodeado
Fugaz mas eficaz
Não me consigo conter
Mas nada contra consigo fazer
Onde estás tu, que és minha?
Porque não danças em mim?
Quero-te, odeio-te talvez
Mas desejo-te
E tento, sem sucesso?,
Procurar-te
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Salto
Perco-me na noção de tempo e de espaço
Tento ficar, mas gravito logo retorno
Sem esplendor mas também sem horror
Vento
Atormentada por chuva pequena que a irrita
Desafiada por pessoas cobertas de tecidos
Mas vencedora de folhas, ramos e estações
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Capa
De ser um super-herói sem o mostrar
Quero uma capa para iluminar
O que escondo sem querer
Dispersão
Pousam por vezes em lampejos de fulgor
Levantam, destroem, fazem vibrar e adormecer
Palavras soam a pouco de tão longe que estão
Mesmo perto, são distantes
Não se ouvem, emudecem, fazem despertar e lembrar
Músicas de alguém sobre alguém
Associam-se com rapidez ao momento, à pessoa e ao lugar
Surgem em sonhos, desconcertam, acalmam e abrem portas
Sofrer
A quem repara e a quem não nota
Não falar traz ainda mais sofrimento
Interno, doloroso, constante
segunda-feira, 12 de março de 2012
Marcas
Sobras que não acabam
Monstros que de sonhos nem de dias ou noites desaparecem
São marcas indeléveis
Tentar apagar, acabar ou esquecer
É difícil; inútil? Nunca!
Como a calçada duma rua
Por mais pedras que se calquem
Por mais passos que se gastem
Há sempre uma estrela que brilha
Não é esperança nem lembrança
É o futuro
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Porta
Não mudas de mais um pequeno número de estados
Abres luz e fechas escuridão
Procuro-te, porta. Dá-me acesso ao que ocultas
Deixa aparecer a novidade.
Dança
E ao olhar eu tremia
Do esplendor que reluzias
Do movimento incessante e coordenado
Ao som de nada ou ao som de tudo
Sem descuidos, com fantasia
Tu dançavas.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Quando não estás
Só a sombra sobrevive e nela habita o vazio
Não há vontade, não há um olhar sorridente
As costas arrefecem pela distância e
A ausência dói.
Glória
Quem conta contigo, com pouco se desilude
Saber onde estás confunde-se com um labirinto
De muito difícil saída
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Jogos de luzes
Têm início sem fim
E silvos de um instrumento
Conduzem os meus pés
Mas é a luz que se dispersa
Que tanto foge pelo canto do olho, para trás
Como se afasta, ao longe e ao fundo
O arrastar da escuridão nada pode
Nem é
Perante o jogo de luzes
Paraíso
Promessa de encanto inebriante
Condição atrás de condição, forja-se o caminho
É ele, o caminho, o paraíso?
Ou só à chegada se saboreia?
Não. Não. É agora
(a novidade)
Que desconcerta e ilumina
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Sem forma
Escrevo e descrevo
Uma entidade sem descrição
E é possível? Sim, torna-se
Meu e logo teu
Assim o queiras
Assim me permitas
Problemas
Mas são eles que me fazem viver
São problemas que se pudessem
Não eram mais do que um esmorecer
O que sou, sem problemas,
O que sou, sem caminhar
Eu? Ou outro que não eu?
Musa
Inspiração para cortar pelos dias sem esmorecer
Cobras a tua conta com outras escolhas
Mostras a tua face, o teu cabelo, o teu estilo
Que me lembra e faz lembrar do que não tenho
E já não quero, porque não é a ti que quero
És minha musa mas nunca devias ser
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Alusão a ti
Diz o que pensas
O que mais te apoquenta e
O que faz feliz
Tira-me desse lugar recôndito
Onde escondes o que é teu
Vem, volta, recomeça
Faz de mim aquilo que és e
Aquilo que não sou
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Nova aparência
Surge perante os meus olhos
Como um pedaço de fruta nova
Ou uma parede branca pintada de fresco
Mas ilude? Pode fazê-lo,
Pode mostrar aquilo que não é
Mas também não sei o que será
É apenas uma aparência. Uma
Amostra de cor, luz e som
Uma amostra de pessoa
Nulo
Prolonga no tempo o problema de o ser
Estraga vontades e causa desgostos
Mas sendo nulo, é belo
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Memórias felizes
Não, nunca,
Mas não sempre
Porque o que é feliz marca pouco em mim
E o mundo gira na mesma.
Memórias tristes
De tempos difíceis ou complexos
Lembrá-los faz vibrar
Como um ponte desgovernada
Vivê-los faz desdenhar
O que não é triste noutros
Seres
Lugares
Neurónios
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Numa parede
Escrito numa parede
E derrota quem lê
Como uma espada domina outra
Dito por não dito,
O espaço que se invade
É perdido ou perdição
E largando-o, não se sabe nunca
Onde ele pára ou recomeça
Pois não se acredita
Livre e pronto
Largar e deitar fora
O que sobra ou é fútil
Libertar, esvoaçar, sair
Criar ou recriar
O que não tem fronteiras
Desamarrar, cortar, fluir
Montar e sobrevoar
O que se desmorona
terça-feira, 1 de novembro de 2011
São novas, estas sensações
O nó que se dá no estomâgo
Nem o nó que se forma na garganta
Nem mesmo aquele que pés trocados fazem
No entanto, há uma forma de mostrar
Que o que sinto não sinto,
Não é meu mas teu
E é novidade
Mas não adoro eu
A Novidade, a Beleza e o Universo?
Ah, sim! Sem dúvida que são
Nós em mim
Fria
Mas não, não conquisto.
Sou conquistado por uma mão gelada
Que me toca com desprezo
E conversas ecoam ao longe
E ribombam em mim
Como trovões numa noite dessas
Mas são lamúrias tristes
Que me engolem e paralisam
Como o teu adeus, que não é quente;
Que não existe
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Não são reais
As palavras que escrevo
Os sons que ouço
As imagens que vejo
São vistas sobre um oceano
São barulhos de uma concha
São rabiscos na areia
Destino
Deus que não reconheço
Fujam de mim
Não se prendam como uma aranha prende uma borboleta
Mas tu, Beleza, fica
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Afronta
Aquela de responder ao que não tem resposta
Porque não teve de ter ínicio
Mas teve fim
Um fim em mim
Que não é o fim, pois se prolonga e demora
E pesa como uma rede de nós duros
Como a tirar? Sem
a
front
a
Silêncio
Porque pairas sobre mim?
Porque vibras como uma ponte perdida
E saltas de neurónio em neurónio?
Terrível és, silêncio fazes
E perdes, ganhas
O quê?
Solidão?
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Estrela
Que faz cintilar e brilha
É uma estrela que sustenta o negro
Que ofusca e gira
É uma estrela que faz girar
Esta Terra que não é nossa
Toldado
Vagueio ao longo de um caminho
Ao largo de um curso de água qualquer
Até ao fim
Mas qual fim? Há algum?
Há fim, sem fim, a toda a minha volta
E à volta de tudo o que faço girar
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Desprezo
Na cara de quem vê
Não com olhos, mas com o sabor
E sente um travo amargo desnecessário
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Becoming
In the way she moves
Knowing how to become something
While she watches
Believing and
becoming
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Palavras ao vento
Largadas sem discrição
Flutuam pelo ar
E galgam correntes
São palavras
São momentos
São palavras
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Um caminho
Um caminho
Percorrer avenidas de incerteza
Não acreditar em saídas
Mas com um sorriso
Há entradas e sabores
Que não se esquecem
Que indicam
Que mostram
Um caminho
Árvore
Ao sabor da esquisitice dos teus ramos
Porque te perdes na luz?
Porque te perdes no verde?
Ondulas
Como o vento deseja e
é
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Olhares
Que queimam como um dedo apontado
A luxúrias sem fim
E sem destino
A menos que sejas tu
E aí, sim,
Procuro-te num destino
domingo, 29 de maio de 2011
A memória de uma fotografia
Aquela fotografia em que se riem, dois
Uns dois
Que não são mais que dois mas que podem e são uns
Porque há uma fotografia
Porque há uma memória
Há uma vontade, presa na
fotografia
Preciso
De qualquer coisa de novo, a toda a hora
A qualquer momento preciso de um movimento
De um preciso fulgor que me agarre e revire
Preciso
quarta-feira, 24 de março de 2010
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Bernardo
domingo, 28 de junho de 2009
A cada passo
terça-feira, 9 de junho de 2009
I find myself
An event where rage
As strong and hard as never before
Overwhelmed every other feeling
Be it joy, envy or loneliness
There I was, hating every step
Of the process with neither
goal
nor
plan
I find myself with no means
To justify this end
Or this (re)start
domingo, 31 de maio de 2009
Há um vestido que nasce do meu pensamento
Há uma cabeça que se vira
Se há cabelos ao vento
Há fantasias de verão
Se nasce uma dança
Nasce um sabor de frescura
Se nasce uma sede numa garganta
Nasce quem a tire, a toda a hora
quarta-feira, 20 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Destruído
sábado, 9 de maio de 2009
Sem rei nem roque
segunda-feira, 9 de março de 2009
As voltas do mundo
domingo, 8 de março de 2009
Sem horas
domingo, 25 de janeiro de 2009
Why and how or The dawn
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Get rhythm when you get the blues (à la geek)
geek
The people you pick on in high school and wind up working for as an adult
The geeky kid now owns a million dollar software company
while("get the blues" == true) {
getRhythm();
}
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
sábado, 4 de outubro de 2008
Complicado
P.S.: God or god? Quanto respeito?
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Can't stop
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Como se, numa noite qualquer
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Sim ou não?
domingo, 17 de agosto de 2008
The room
Porque falas assim?
sábado, 16 de agosto de 2008
Moribundo
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Fumo
Nada mais
The view
terça-feira, 12 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Outra vez
como quem é tão leve que não se sustenta
Não sei como te segurar;
será um abraço desajeitado suficiente?
Dizes que sim mas não vejo verdade ou ironia nos teus olhos
E subo pelas minhas próprias paredes
Que se erguem em torno da minha consciência
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Sem vontade
You, mistaken or misleading?
Do you want me to stay?
Everyday, I fight and put aside everything that makes me sad.
Celebrities
Eh eh Episode 2..
Then, Episode 3.
and (omg) Episode 4 ?!
Ah, celebrities.
A rede de sonhos 2
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Ambição
ambição
do Lat. ambitione
s. f.,
desejo veemente de fortuna, de glória, de honrarias, de poder;
cobiça.
Ir ou A rede de sonhos
Ir, sozinho
Ir e partilhar comigo ou contigo
Ou só ir, só
Porque estar, acompanhado
Envolto e inundado de vozes e sonhos
É o que nos faz, a rede
A rede de sonhos
quinta-feira, 24 de julho de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
segunda-feira, 2 de junho de 2008
A cidade que corre
domingo, 1 de junho de 2008
People come, people go

sexta-feira, 30 de maio de 2008
Parede, precisa-se
Para quê uma parede, pergunto-me? Para que serve uma coisa tão vazia e estática? Não são um caderno, uma folha A2 ou uma tela suficientes para despejar as asas da imaginação?
Não. Uma parede é o que preciso: quero action painting, ideias naquele estado primário e deliciosamente incerto, frustrações e génios fora da lâmpada!
domingo, 13 de janeiro de 2008
De volta
domingo, 11 de novembro de 2007
Lá fora
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Distribuindo e baralhando
E saber que aqui
Onde mudo
De novo me desafio
E me desencontro
Como dantes, caio - mas agora longe - não sabendo nunca como quebrar o feitiço momentâneo.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Arredondando às vontades
Globen ou o Pavihão Rosa Mota Avantajado de Estocolmo.
Um mundo de espectáculos, desportos, compras e mais.
Que vontade de ir ver hóquei no gelo!
Dispersando
Stockholms Stadion, o estádio olímpico de Estocolmo.
Lugar dos Jogos Olímpicos de 1912, palco medieval de desporto moderno.
Vai Asafa, os 9.70 são teus!
domingo, 9 de setembro de 2007
Verdade seja dita
Kungliga Slottet ou o Palácio Real, localizado em Gamla Stan.
Uma fortaleza para defesa do lago Mälaren ou um local de trabalho para os reis.
Tanto para ver, tantas vidas, tão pouca memória.
Dançando como metal
Tunnelbana, o metropolitano de Estocolmo.
Uma estação qualquer, porto de abrigo da cidade onde vagueio.
Uma carruagem dançante que é simultaneamente o meu horror e o meu amor.
sábado, 8 de setembro de 2007
The king's garden
Kungsträdgården, o jardim do rei, no centro de Estocolmo.
Choque de gerações no "street chess".
Um dos caminhos para Gamla Stan, a cidade velha.